O governador Leite e o vazamento de inquérito sigiloso da família de Juliana Brizola

BRASJL 247

Eduardo Leite tem a obrigação de mandar investigar imediatamente este vazamento’, escreve o colunista Jeferson Miola.

 

A coluna “Política e Poder” do jornal Zero Hora publicou com exclusividade na versão online [22/10] a existência de um inquérito policial sobre supostas desavenças na família materna da ex-deputada estadual e pré-candidata Juliana Brizola, do PDT/RS. O assunto agora repercute amplamente em outros meios de comunicação.

Como este inquérito é sigiloso e ainda está em andamento, existem pelo menos duas hipóteses para a publicidade do conteúdo desta investigação pela imprensa: [1] ou o tio dela, que é parte do contencioso, foi a fonte do jornal Zero Hora; ou, então, [2] o governo Leite vazou as informações sigilosas para este veículo específico.

A hipótese de ter sido o tio da Juliana não pode ser descartada, considerando o histórico de uma relação conturbada, segundo fontes próximas à família, e que envolve o interesse do tio da Juliana em receber antecipadamente a herança da avó dela devido a uma realidade de dependência econômica.

A hipótese de ter sido o governo Leite parece, no entanto, ainda mais verossímil, e pelos seguintes motivos:

[1] o jornal Zero Hora, da RBS, grupo econômico que é sócio do condomínio ultraliberal-conservador que domina o Estado e a Prefeitura de Porto Alegre, deu a matéria com exclusividade e repercutiu numa das principais colunas políticas da mídia hegemônica do RS, assinada pela jornalista Rosane de Oliveira, que sentenciou: “indiciamento ameaça candidatura de Juliana Brizola ao governo do Estado”;

[2] a repórter que teria apurado o caso, integrante do Grupo de Investigação da RBS, é conhecida por seu acesso prodigioso a fontes policiais do Estado;

[3] há alguns dias [16/10] o governador Eduardo Leite reuniu os partidos da base de apoio no Palácio Piratini exigindo ordem unida em torno da candidatura do vice Gabriel de Souza à sucessão.Dentre as exigências feitas [inclusive em relação ao PP], Leite deixou claro não aceitar a articulação do PDT com o PT para a formação de uma chapa eleitoral com a Juliana Brizola na cabeça e tendo, provavelmente, o deputado Paulo Pimenta como vice;[4] pedetistas desconfiam que alguns correligionários defensores da continuidade da aliança com Leite teriam “soprado” nos ouvidos do governador sobre a existência do tal inquérito da Polícia Civil.Uma liderança do PDT apura, inclusive, se a delegada que indiciou Juliana teria sido promovida na última terça-feira, 21/10 [mera coincidência]?.

É gravíssimo o vazamento pela imprensa de inquérito sigiloso envolvendo questões familiares, sempre controvertidas, sensíveis e passíveis de motivações emocionais irascíveis.

É certo que o jornal Zero Hora não inventou o conteúdo, que é sigiloso, mas foi transmissor de informações prestadas por pessoas inescrupulosas que o vazaram.

É de se questionar, porém, se não deveria haver o mínimo de reserva do jornal antes de publicar com imenso destaque um assunto familiar sujeito a toda sorte de confusão, e que, se divulgado, sabidamente teria um efeito corrosivo para a pré-candidata Juliana.

A detonação da Juliana Brizola tem um alvo ainda maior que ela mesma. Além, claro, de atingir diretamente a honra pessoal e a imagem política dela, alvejar a Juliana significa alvejar também a possibilidade histórica de formação de uma chapa eleitoral entre o PT e o PDT para o governo do RS, porque não existe outra liderança pedetista que desempenharia este papel que ela pode desempenhar para a unidade da esquerda e do progressismo para enfrentar o bloco oligárquico-conservador dominante.

Nem mesmo em 1998, quando o avô da Juliana, Leonel Brizola, foi vice de Lula na eleição para a presidência, PT e PDT estiveram unidos numa mesma chapa. Pela primeira vez, portanto, este cenário se mostra muito realista para a eleição de 2026, e por isso assusta os “donos do poder” na capital Porto Alegre e no Estado do RS.

Leite tem a obrigação de mandar investigar imediatamente este vazamento para identificar os responsáveis e puni-los nos termos mais severos da Lei.

Se nada fizer, Leite confirmará que por trás do falso bom mocismo de “político moderno e descolado” se esconde um oligarca político que usa as polícias pra intimidar, ameaçar e chantagear seus adversários políticos.

O uso do Estado como comitê eleitoral é uma característica do governador Eduardo Leite, que na rememoração de um ano das enchentes produziu um filme auto-promocional e cheio de mentiras para esconder da população o papel decisivo do governo Lula durante a tragédia e na reconstrução do Estado. Com um detalhe: um filme auto-elogioso bancado com dinheiro público e feito por funcionários do governo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

 

Ida de Fux para 2ª Turma visa mexer em inelegibilidade de Bolsonaro

REVISTA FORUM

Tarefa não é simples. Entenda manobra que pode estar no cerne do pedido de transferência do ministro, que é o relator do recurso apresentado pelo ex-presidente.

 

O ministro Luiz Fux parece mesmo estar disposto a protagonizar uma manobra de forte conotação política ao pedir transferência da 1ª para a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), num movimento que pode abrir espaço para beneficiar diretamente Jair Bolsonaro (PL) em seu recurso contra a inelegibilidade imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), embora a tarefa não seja nada simples.

Em 2023, o TSE declarou Bolsonaro inelegível por oito anos por abuso de poder político e uso indevido do Palácio da Alvorada durante uma reunião com embaixadores, na qual o então presidente atacou, sem provas, o sistema eleitoral brasileiro. O ex-mandatário recorreu ao STF, e o processo, que inicialmente esteve com o ministro Cristiano Zanin, que se declarou impedido, foi redistribuído em maio de 2024 e caiu nas mãos de Fux.

Agora, Fux solicita ao presidente do STF, Edson Fachin, para ser transferido à 2ª Turma, composta por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Fachin, André Mendonça e Nunes Marques, estes dois últimos, notórios bolsonaristas subservientes ao ex-presidente. Caso o pedido seja aceito, Fux poderá levar consigo, então, os processos nos quais é relator, inclusive o recurso que tenta livrar Bolsonaro da inelegibilidade. A movimentação, não percebida nas primeiras horas após a solicitação de transferência do magistrado, agora é apontada como um gesto político explícito e calculado. Ou seja, uma tentativa de reposicionar o processo num ambiente judicial totalmente bolsonarista, no qual ele, Mendonça e Nunes Marques formam maioria, e onde uma eventual reversão da condenação teria chances totais de prosperar.
Por outro lado, a questão envolvendo a inelegibilidade de Jair Bolsonaro não é tão simples. Ele não está impossibilitado de disputar cargos eletivos apenas por conta desta decisão do TSE, em relação à qual recorreu. Sua condenação na ação penal da tentativa de golpe o tornou inelegível também, por enquadrar o seu caso na Lei da Ficha Limpa. Ou seja, a bem da verdade, Bolsonaro enfrenta “múltiplas inelegibilidades”.

A mudança de turma não seria apenas uma questão burocrática, mas uma estratégia articulada com fins políticos evidentes. O gesto, lido como uma cartada desesperada da extrema direita, se dá num momento em que Bolsonaro enfrenta múltiplas derrotas judiciais e políticas, e em que sua inelegibilidade o mantém fora do jogo eleitoral até 2030, podendo se estender até 2060, caso prevaleçam outras condenações.

Dentro do STF, há quem defenda que o processo deveria continuar na 1ª Turma, formada ainda por Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino, todos com histórico de votos firmes em defesa da democracia e das instituições. Ainda assim, o pedido de Fux coloca em dúvida os limites éticos e regimentais do tribunal, uma vez que o regimento interno é nebuloso e permite interpretações convenientes, especialmente em tempos de alta tensão política.

O fato de Fux ter sido o único ministro a votar contra a condenação de Bolsonaro no julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado reforça a leitura de que o ministro tem se aproximado, de forma simbólica e jurídica, das teses e interesses da extrema direita. A movimentação é vista como um ato deliberado para reacender a chama bolsonarista em pleno ano eleitoral, dando falsas esperanças a uma base radicalizada e ameaçando reacender a confusão política que o país tenta superar desde 2022.

Nesse cenário, Fux surge como um “agente do caos” dentro do Supremo, alguém disposto a incendiar o tabuleiro institucional para oferecer ao bolsonarismo um último fôlego. Sua iniciativa soa como uma tentativa de ressuscitar uma figura política já sepultada, cujos atos e discursos corroeram a confiança nas instituições e dividiram o Brasil. Se confirmada a transferência e a movimentação do processo, o gesto de Fux poderá ser lembrado como um dos mais graves episódios de interferência política na história recente do STF, uma manobra que, sob o pretexto de formalidade regimental, carrega o potencial de reabrir feridas profundas no país.

CVM afirma que investiga Petrobras por uso de informação privilegiada com ações

A investigação busca determinar se algum investidor valeu-se dessa condição para negociar e ter lucro no mercado

Aluísio Alves, da Reuters – 05/03/21 às 14:18 – CNN
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou nesta sexta-feira (5) que abriu processo para investigar uso de informação privilegiada nos negócios com ações da Petrobras, no episódio envolvendo anúncio de troca no comando da companhia.
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NOTA DO BLOG
Eu sei que eles andam cuidando meu blog e eu sei o quanto eles estiveram envolvidos nessa compra de ações.
Eu já disse que sou um escavador e sei bem como atingir certas pessoas que me elegeram como inimigo. Hoje, eu sei mais do que eles imaginam e não são somente as 5.300 páginas de whatsapp baixados. Desde a mais insigne a até o mais alto suposto figurão, Eu tenho tudo e sei bem os negócios dessa turma, embora andem se metamorfoseando. entre a esquerda e a direita.
Não adianta se fingir de esquerda, hoje, se seus negócios são escabrosos.

REFLEXÃO DE DAVI DAMIAN

*DAVI DAMIAN

A humilhação francesa e a revolta de turistas por ver o Louvre fechado para perícia desde o furto ou roubo de joias napoleônicas, 1/3 de salas com câmeras e ocorreu durante o dia.

Nada mais velado do que algo escancarado na tua face, nada de noite obscura, como no conto “a carta roubada” do Allan Poe, está tão manifesto que ninguém vê, ignoram. Lacan pega o conto para fazer analogia ao ato falho e lapso de fala, tão latente que ninguém da importância. “Todo ato falho é um ato bem sucedido”; pois conseguiu sair do inconsciente para a Fala.

E humilhação francesa e Napoleão associam com o “Inverno Russo” e “Waterloo”, sendo hoje em 4 minutos efetuaram o objetivo e ainda fugiram de moto.


*É psicanalista, Mestre e Doutor em Psicanálise pela UFRGS