FREUD, NIETZSCHE e LOU ANDREAS-SALOMÉ E A LIBIDO METAFÍSICA

Ontem, sexta-feira a tarde, marquei um diálogo com o amigo DAVI DAMIAN, um jovem promissor de nossa cidade e com quem eu não sentava há algum tempo, exceto breves passagens.

Passamos das 3 horas de conversas, embora tenha sido mais um monólogo. A chuvarada alongou o tempo.

Mas o DAVI é bem formado, tanto que é Mestre e Doutor em psicanálise pela UFRGS, está num nível raro para os nossos padrões, mas encontramos interação nos vieses da filosofia.

Hoje, Davi me mandou a foto de um livro de KANT.

Ontem, no meio da chuvarada, DAVI se tentou se lembrar do nome do livro de KANT que ele desenvolvia em nosso diálogo. pensou, pensou e aí eu entrei e dei-lhe o nome: CRÍTICA DA RAZÃO PRÁTICA. Minha intenção foi apenas mostrar sintonia e que eu estava atento ao desenvolvimento do seu raciocínio.

Aliás, DAVI só me deixou duas lacunas, essa do KANT e outra quando foi me citar o nome de uma mulher devassa que pirou FREUD e NIETZSCHE, ambos amaram-na, e DAVI DAMIAN se lembrava apenas dos seus impulsos sexuais. Aí vi que DAVI se referia a Lou Andreas-Salomé, uma mulher fabulosa que nem os maiores filósofos e psicanalistas da época souberam entendê-la. E ainda tem a paixão metafísica com Paul Rée.

Eu estudei um pouco Lou Andreas-Salomé e embora as nomenclaturas filosóficas e nietzschianas, que a passavam como histérica, Embora médico, Freud parece, até onde não fica claro, não usava opioides, papaver somniferum,  ópio, morfina, heroína, embora sua defesa da coca*,  nem os anti-histamínicos, H1 e H2, é claro, é tudo questão de época, pois até hoje não existam medicamentos puros para diminuar o excesso de libido feminina, embora tudo sejam medicamentos da linha  indireta estiilo  bupropiona e mirtazapina, embora eu pense que a depressão não tem nada a ver com o desejo excessivo de uma mulher e ficam com fescuras off-labeis, anti-ANVISA.

*SOBRE LA COCA

Desde que eu estudei Lou Andreas-Salomé entendi – de cara – que Nelson Rodrigues era um sábio, pois ela precisava um tratamento masculino mais complexo como a fuga da normalidade e a extravasão, como saída de emergência no ato sexual, puramente física ou de violência física.

Eu penso até hoje em BONITINHA MAS ORDINÁRIA, de 1962, onde NELSON RODRIGUES critica a moralidade social e valores cínicos de toda a sociedade da época. É claro, o exemplo choca nos dias atuais, mas as BONITINHAS existem em todas as sociedades, embora psicólogas e psiquiatras não saibam admitir, de frente, a extensão do desejo feminino expresso numa libido excessiva.

Um fato que seria normal, sofre recatos vitorianos e presos ainda a concepção medieval, embora sem a presença clerical real, existe a presença ficta. E com essa onda de direita no mundo e o cinismo trumpista, vai custar muito tempo para uma evolução a ponto da compreensão das várias formas de expressão da libido feminina.

Apenas concluo com a máxima de NELSON RODRIGUES: “atrás  de todo paladino da moral, vive um canalha”,

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EM TEMPO: eu não tratei esse assunto com DAVI, embora seja um bom prato para o nosso próximo diálogo de 3 horas.  Aqui nesse texto, apenas peguei um gancho a partir de LOU SALOMÉ, apenas isso.